domingo, outubro 07, 2012

Extrovertido ou Introvertido?








Extrovertido ou Introvertido?



Conhecido como um dos maiores psicólogos do século XX e um dos que mais estudou a personalidade humana, Carl Gustav Jung, distinguiu duas formas de atitudes/disposição das pessoas em relação a convivência entre pessoas: aquelas que preferem focar a sua atenção no mundo externo, nos fatos e nas pessoas, e aquelas voltadas para o mundo interno de representações e impressões psíquicas. Cada um desses tipos de disposição representa a preferência natural do indivíduo no seu modo de se relacionar com o mundo. Assim, ambos os tipos introvertidos e extrovertido revelam que as pessoas diante dos eventos da vida podem apresentar duas condições: “uma tendência à reflexão (introvertido); e outra a de mobilização ou ação (extrovertido).”
Grosso modo, pessoas extrovertidas, são mais animadas, mais barulhentas e comunicativas, enquanto as introvertidas são mais retraídas, mais discretas e pensativas. É lógico que entre esses dois extremos existem gradações e nosso lugar nesse contínuo determina como fazemos nossas escolhas, como nos relacionamos, a forma como resolvemos nossas diferenças, como enfrentamos nossos conflitos, como demonstramos nossos afetos.
Na prática os extrovertidos são pessoas que se sentem bem na convivência com muitas pessoas, enquanto os introvertidos, não parecem ter necessidade de conviver com muitas pessoas, evitando, até mesmo, ou algumas vezes, estabelecer contatos. Não são necessariamente tímidos, pois tem a habilidade de conversar e auto-estima necessária para interagir com as outras pessoas, porém optam por ficarem mais sós.
Na verdade temos um pouco de cada uma dessas características com predomínio de uma delas. Não há como sermos todos extrovertido ou todos introvertidos o tempo todo, nem considerar que um tipo seja melhor que outro, ambos têm suas vantagens e desvantagens.
Outrossim, vale dizer que uma personalidade sã é flexível e pode adaptar-se ao contexto, num equilíbrio que permite ao sujeito responder aos estímulos externos sem conflitos.
É importante dizer que essas duas características por si só não define ninguém, muitas outras se somam a elas para se definir uma personalidade.  
Atualmente, introversão e extroversão são dois dos aspectos mais pesquisados na psicologia da personalidade, despertando a curiosidade de centenas de cientistas.
Vivemos numa sociedade que valoriza as pessoas populares, alegres, comunicativas, esfuziantes, os palradores e, despreza os que coram, gaguejam, suam nas mãos. Refiro-me, aqueles que, de algum modo tentam influenciar ou até mesmo condicionar condutas (como, por exemplo, a mídia), que incentiva às massas a interagirem o tempo todo, como sendo o único comportamento socialmente desejável.
A Introspecção e a quietude têm sido combatidas desde a infância. Muitos chegam a associá-las ao fracasso. Desse modo, o mercado de trabalho, tende a exigir de seus funcionários um ideal de extroversão, ou seja, é preciso ser falante, expansivo, alegre para ser considerado um bom candidato em seleções de Rh. Os "quietos", muitas vezes, são malvistos. Na verdade, as empresas devem ter seus perfis, de acordo com os cargos e funções desejados, não necessariamente extrovertido. O importante é ser original, é ser o que se é, e não forçar para se adequar ao perfil desejado e depois não conseguir manter-se nele. Essa forma forçada de enquadramento não é boa, nem para a empresa que contrata, nem para o candidato que pleiteia a vaga.
Os introvertidos não têm a exuberância social e os níveis de atividade dos extrovertidos. Eles tendem a parecer calmos, ponderados e menos envolvidos com o mundo social. No entanto, a sua falta de envolvimento social não deve ser interpretada como timidez ou depressão. Os introvertidos simplesmente necessitam de menos estimulação e de mais tempo sozinhos do que os extrovertidos. Eles podem ser bastante ativos e enérgicos, mas não socialmente. Porém, podem, não necessariamente, estar propensos a evitar contatos, tornarem tímidos ou isolados e a perder oportunidades.
No entanto, isso nem sempre corresponde à realidade se pensarmos em personalidades do tipo Barack Obama, Steven Spielberg, Bill Gates, para os quais não parece ter sido empecilho, o fato de serem personalidades introvertidas.

            Profa. Dra Edna Paciência Vietta
                            Psicóloga Clínica

terça-feira, outubro 02, 2012

Doença de Alzheimer

Doença de Alzheimer

Doença de Alzheimer é uma doença irreversível e progressiva do cérebro que lentamente destrói a memória, as habilidades de pensamento e, eventualmente, até mesmo a capacidade de realizar as tarefas mais simples. Na maioria das pessoas com doença de Alzheimer, os primeiros sintomas aparecem depois de 55 anos de idade.  A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência entre pessoas idosas. 
Demência é a perda do funcionamento cognitivo (lembrança, raciocínio e habilidades comportamentais), a tal ponto que interfere com a vida diária de uma pessoa e atividades. Há certo grau de demência que vai do nível mais brando, quando a doença apenas começa afetar o funcionamento de uma pessoa, para o estágio mais grave, quando a pessoa passa depender totalmente de outros para desempenhar atividades básicas da vida diária.
A doença de Alzheimer recebeu o nome do Dr. Alois Alzheimer, seu descobridor, quando este em 1906, notou mudanças no tecido cerebral de uma mulher que tinha morrido de uma doença mental incomum. Seus sintomas incluem perda de memória, problemas de linguagem e comportamento imprevisível. Depois que ela morreu, ele examinou seu cérebro e encontrou muitos aglomerados anormais (conhecidas hoje por placas amilóides) e feixes de fibras emaranhadas (hoje conhecidos por (emaranhados neurofibrilares). Placas e emaranhados no cérebro são duas das principais características da doença de Alzheimer. A terceira é a perda de conexões entre as células nervosas (neurônios) no cérebro.
Os aspectos neurocomportamentais da demência clássica do tipo Alzheimer incluem o comprometimento da memória, distúrbios de linguagem (afasia), déficits visuais e espaciais, comprometimento da capacidade de fazer cálculos e abstrações. Os distúrbios de outras funções do córtex cerebral como a agnosia (incapacidade de realizar uma tarefa motora na ausência de perda sensorial, hemiparesia ou dificuldade de compreensão) podem ser observados.
As alterações na personalidade são um achado precoce e freqüente na doença de Alzheimer. Os pacientes se tornam cada vez mais passivos, mais agressivos na demonstração de emoções e menos espontâneos. Alguns destes sintomas podem imitar uma depressão, mas ocorrem com mais freqüência na ausência de um estado de humor depressivo óbvio, ou pensamentos de invalidez, incompetência ou culpa. Em 40 a 50% dos pacientes, o estado de humor depressivo pode ser evidente em algum momento durante o curso da doença.
Outras dificuldades relacionadas ao comportamento incluem inquietação motora, agitação, "viscosidade" (o paciente segue a pessoa que cuida dele a todos os lugares), reações catastróficas, agressividade, perambulações e insônia.
Embora, ainda, não seja totalmente conhecido o processo da doença de Alzheimer, parece provável que os danos ao cérebro começa à uma década ou mais antes que os problemas se tornam evidentes. 
Problemas de memória são tipicamente um dos primeiros sinais de aviso de perda cognitiva. Algumas pessoas com problemas de memória têm uma condição chamada comprometimento cognitivo leve amnésico, pessoas com esta condição têm mais problemas de memória do que o normal para as pessoas de sua idade, mas seus sintomas não são tão graves como aqueles vistos em pessoas com doença de Alzheimer. A capacidade da pessoa com comprometimento desse tipo não é significativamente prejudicada em suas atividades normais diárias. 
No entanto, em pessoas mais idosas esse comprometimento, pode desenvolver a doença de Alzheimer.
Constata-se que as perdas nas habilidades cognitivas usualmente atribuídas à idade podem ser evitadas, adiadas ou mesmo revertidas, quando se trata do envelhecimento normal (sem demência). A estimulação adequada e continuada permite manter níveis de desempenho bem pouco diferentes dos adultos mais jovens.
Investigações sugerem que grande número de fatores que escapam à genética básica pode ter significativa influência no desenvolvimento e evolução da doença de Alzheimer. Há interesse, em se pesquisar associações entre declínio cognitivo, doenças vasculares e metabólicas, tais como doença cardíaca, acidente vascular cerebral, hipertensão arterial, diabetes, obesidade e estilo de vida. Compreender essas relações e testá-las em ensaios clínicos nos ajudará a entender e reduzir fatores de risco.
Até algumas décadas atrás os cientistas eram pessimistas a respeito das chances de se encontrar tratamento eficaz para o Alzheimer. Sabia-se muito pouco sobre a biologia da doença, e acreditava-se que suas origens e sua progressão eram irremediavelmente complexas. Recentemente, contudo, pesquisadores avançaram na compreensão dos eventos moleculares que parecem desencadear a enfermidade, e exploram agora diversas estratégias para desacelerar ou conter seus processos destrutivos.
 Hoje, cientistas pesquisam tratamentos capazes de impedir o surgimento da doença e até mesmo formas de previnir seus efeitos nocivos.
Enquanto isso, uma dieta nutritiva, atividade física, engajamento social, e atividades cerebrais estimulantes podem ajudar as pessoas a permanecer saudáveis ​​enquanto envelhecem.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica

sexta-feira, setembro 21, 2012


NEUROSE E PSICOSE



                                          

Nosso objetivo em publicar artigos relacionados à temática psicológica tem sido o de compartilharmos conhecimentos científicos em linguagem popular, utilizada no cotidiano das pessoas, visando contribuir para informação e detecção precoce dos transtornos emocionais e mentais. Procuramos nos ater às questões que nos fazem no consultório, ou mesmo socialmente, para refletirmos e escrever procurando nos ater às dúvidas mais relevantes para esse entendimento. Percebemos a existência de muitas dúvidas sobre a diferença entre Neurose e Psicose, daí escolhermos para o tema de hoje esse esclarecimento.

Os sentimentos dos neuróticos são normais; eles amam, sentem alegria, tristeza, raiva, etc., como qualquer pessoa. É a quantidade desses sentimentos e a forma de reagir aos estímulos que são desproporcionais. Os neuróticos ficam mais ansiosos, mais angustiados, mais deprimidos, mais sugestionáveis, mais teatrais, mais impressionados, mais preocupados, com mais medo, enfim, eles têm as mesmas emoções que qualquer pessoa, porém, em quantidades que comprometem a sua adaptação. Assim, um neurótico fóbico, por ex, pode sentir intenso medo ante uma situação ou um objeto que ele saiba não representar nenhum perigo. Os neuróticos percebem e julgam a realidade como todo mundo, mas reagem a ela de forma diferente. Essa característica os distingue dos psicóticos, que exibem uma alteração do juízo de realidade. Diante de um compromisso social o neurótico reage com muita ansiedade, mais que a maioria das pessoas submetidas à mesma situação. Nessa circunstância a pessoa começa ficar muito ansiosa, em situação de tensão uma semana antes do evento. Num determinado ambiente (ônibus, elevador, avião, em meio à multidão, etc.) a pessoa neurótica começa a passar mal, achando que vai acontecer alguma coisa (desproporcional), ou passa mal só de saber que terá de enfrentar tal situação (sem causa aparente).
Assim sendo, neuroses são distúrbios leves com poucas distorções da realidade, porém tão desconfortável quanto qualquer outro transtorno mental, necessitando. portanto, de tratamento psicológico.
A neurose é sempre resultante de um conflito intrapsíquico, enquanto a psicose há uma disposição endógena ou constitucional.
Os sintomas mais comuns na neurose são: insatisfação geral, inflexibilidade de idéias, rigidez, problemas relacionados à área sexual, excesso de mentiras (mitomania); angustia, crises de choro imotivado, depressão, sintomas psicossomáticos, fobias, pânico, depressão, euforia, oscilação de humor, obsessões, compulsões, etc.
Já a psicose é um estado desequilibrado de funcionamento psíquico. O aspecto central da psicose é a perda do contato com a realidade, variando conforme sua intensidade. Quando a pessoa acaba recriando o que é real, inventando coisas que não existem no plano de entendimento social e que só a ele faz sentido, aí está a psicose no ser humano.
O psicótico vive em um mundo à parte, no qual ele interage com seres e objetos irreais, ao mesmo tempo em que se ausenta cada vez mais da realidade concreta.
As psicoses se definem pela perturbação do pensamento. Alguns sintomas desses distúrbios, por exemplo, nas esquizofrenias, se detecta alteração na percepção, desordem do pensamento, delírios (falsa realidade percebida, crença em conspiração), persecutoriedade (se sente perseguido, acredita que fontes externas controlam seus pensamentos), e alucinações (escutar vozes ou ter visões, onde estas não existem), afastamento da realidade, comportamentos estranhos e distúrbios da fala.
As psicoses geralmente necessitam de avaliação psiquiátrica e conduta medicamentosa - eventualmente internação.
Quando o paciente psicótico está fora da crise, tem condições de tomar conta de si mesmo, vivendo praticamente de forma normal, alimentando sonhos, expectativas, desejos, interagindo bem com os outros. Ao surtar, porém, ele pode se transportar para um universo só dele, fantasioso, no qual tudo é possível e as contradições convivem sem problema algum.
Hoje, existem eficientes alternativas de tratamentos, tanto em termos de abordagens psicológicas quanto psiquiátricas e medicamentosa para todos os transtornos, tanto neuróticos, quanto psicóticos, não havendo razão para preconceitos.
                                                     Profa Dra Edna Paciência Vietta
                                                             Psicóloga Clínica

domingo, setembro 02, 2012

Neurose

                                      

A palavra "neurótico", da maneira como costuma ser utilizada hoje, tem sentido impróprio e pode ser ofensiva ou pejorativa. Para muitas pessoas a palavra "neurose" pode ser utilizada como sinônimo de "loucura". Mas isso não é verdade. A neurose além de doença é uma maneira de a pessoa ser e de reagir diante da vida. Essa maneira de ser, significa que a pessoa reage através de reações vivenciais diferente, das que normalmente as pessoas reagem; seja pelo fato dessas reações serem desproporcionais, seja pelo fato de serem duradouras, ou ainda, pelo fato delas existirem mesmo sem causa aparente. As neuroses são fruto de tentativas ineficazes de se lidar com conflitos e traumas inconscientes. Nesse sentido, o que distinguiria a neurose da normalidade seriam a intensidade do comportamento e a incapacidade da pessoa resolver seus conflitos internos e externos de maneira satisfatória.

A neurose é uma doença causada por motivos inconscientes os quais geralmente garantem ganhos secundários, aparentemente vantajosos ao neurótico. Por exemplo, ser o centro das atenções familiares, obter o domínio do ambiente, evitar responsabilidades, camuflar inseguranças, medos, complexos, baixa auto-estima, etc.

As neuroses se manifestam por meio de sintomas inespecíficos e específicos. Os inespecíficos, ou acessórios, podem existir não só nas neuroses, mas também em outras doenças orgânicas ou psíquicas: depressão, hipocondria, irritabilidade, insônia, dores de cabeça, vertigens, paralisias, cegueira, convulsões etc. Apesar de acessórios, são muito freqüentes nas neuroses, e às vezes dominam o quadro clínico, de modo a mascarar ou encobrir os sintomas específicos.

Os sintomas específicos, ou essenciais, realmente típicos das neuroses, são angústia, fobias, obsessões, conversões (somatizações) e certas inibições, como a impotência sexual.

Em relação à ansiedade, a preocupação e o medo podem causar numerosos distúrbios em muitos indivíduos. Uma neurose deste tipo produz um estado de tensão crônico. Deste grupo fazem parte pessoas que são vítimas de ansiedade e medos de toda sorte. (Medo de elevadores, multidão, micróbios,  sexo, loucura, morte e muitos outros fatores).  Este sentimento de insegurança as torna sempre irrequietas. Nunca  descansam. Permanecem em estado constante de exaustão nervosa.

Os sintomas neuróticos de ansiedade geralmente se desenvolvem em pessoas portadoras de caráter ansioso, ou seja, pessoas que encaram a vida com apreensão, socialmente inseguras, pessimistas e negativistas. Situações vivenciais, perdas significativas, problemas conjugais, crises  financeiras e outros conflitos mais sérios, ou ainda, doenças físicas, podem precipitar nestas pessoas um quadro clínico de ansiedade, embora em alguns casos, os sintomas apareçam sem que nenhum fator significativo possa ser evidenciado.

Nossas vivências terão sempre caráter individual e particular em cada um de nós, de acordo com as particularidades de nossos traços afetivos. Os fatos podem ser os mesmos para várias pessoas, as vivências desses fatos, porém, serão sempre diferentes.

Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, propõe em um pequeno artigo datado de 1911 uma análise a respeito de como nos inserimos no mundo e de que maneira nos protegemos daquilo que pode se apresentar como ameaçador ao nosso psiquismo.

Como é possível compreender a relação que o ser humano estabelece com a realidade? Freud se fez estes questionamentos para tentar compreender a realidade e como nos relacionamos com ela, buscando esse conhecimento nos dois princípios que regem o funcionamento mental: o “princípio do prazer” e o “princípio da realidade”.

Freud chama de “princípio do prazer” aos processos primários do desenvolvimento humano, em que o sujeito busca a obtenção de prazer. Caso haja um desprazer, a atividade psíquica se recolhe. A este movimento de recolhimento Freud irá chamar de “recalque”, processo comum no neurótico.

Nem tudo que desejamos podemos concretizar, pois, a realidade (regras morais, cultura, tradição, costumes), regida pelo princípio de realidade, impede que o desejo seja satisfeito de maneira plena, daí a necessidade do recalque. Nesse sentido, o princípio do prazer é uma atividade psíquica, que abdica da imaginação, da fantasia, e concebe o real com todas suas vicissitudes e suas possíveis conseqüências desagradáveis. Daí Freud concluir ser a neurose o resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ou seja, entre aquilo que o indivíduo é (ou foi) de fato, com aquilo que ele desejaria prazerosamente ser (ou ter sido).


           Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

                     Psicóloga Clínica  



quinta-feira, agosto 02, 2012




Assertividade e sua importância no mundo moderno  



Assertividade está ligada à palavra asserção, que segundo o dicionário Aurélio, quer dizer: Afirmação, asseveração. Fazer asserções significa afirmar, do latim afirmare, tornar firme, eu diria, mais especificamente “asserção naquilo que se acredita verdadeiro.” O assertivo não enrola, não inventa, não disfarça, não distorce, diz de forma simples, natural e empática o que tem a dizer. É a forma de se expressar diretamente os próprios pensamentos, opiniões, vontades, idéias, sentimentos e emoções, sem ser coercitivo, ameaçador ou autoritário. É ser pacífico sem ser passivo.

A postura assertiva é uma virtude, pois se mantém no justo meio-termo entre dois extremos indesejáveis, um por excesso (agressão), outro por falta (passividade ou submissão). Ao assumir a postura assertiva, é possível desenvolver relações maduras e produtivas nos diversos ambientes profissionais, familiar e social bem como em quaisquer situações do cotidiano.

Muitas pessoas confundem pessoas assertivas com pessoas agressivas. Porém, as primeiras nada mais são do que pessoas francas, diretas, que sabem se posicionar com clareza e exprimir suas opiniões sem ofender aos demais. Pessoas assertivas evitam situações desagradáveis, e tem autocontrole sobre seus comportamentos.
Para ser assertivo é preciso ser autêntico, sem ser invasivo, verdadeiro, sem ser arrogante, franco, sem ser hostil consigo próprio e com os outros. É poder enfrentar situações delicadas com sabedoria e elegância, quando for preciso dizer algo verdadeiro que possa ser interpretado como desagradável por alguém; ou manifestar atitude não habitual com risco de receber feedback negativo. Quando, por exemplo, for preciso ou apropriado dizer não a quem nos pede um favor ou algo que não está ao nosso alcance, sem medo de desagradar; quando for preciso fazer face às críticas; quando se tem queixas a apresentar; quando alguém nos coloca em situação de constrangimento ou chantagem, quando for preciso desmascarar uma manipulação, quando se tratar de defender nossas convicções, idéias e direitos, etc.
A pessoa assertiva sabe que nada é definitivo e sabe que não precisa acertar nem agradar sempre, nem dar satisfação a todos, por tudo que faz.
 O postulado fundamental da assertividade é que o "outro" é, a priori, digno de confiança. O que não quer dizer que tenha os mesmos gostos e os mesmos interesses que nós. A confiança mútua consiste em reconhecer o caráter eventualmente divergente dos interesses e admitir as diferenças de sensibilidade procurando sem reservas pontos de concordância com base na realidade.
Toda pessoa assertiva tem uma auto-estima positiva e procura, sempre, se auto-avaliar para modificar padrões de pensamentos e valores pessoais. É capaz de expressar suas idéias, expor suas opiniões e lidar com seus sentimentos. É capaz de lutar por seus direitos, sem, contudo, violar os direitos dos demais. É autoconfiante, independente e sabe o que quer. Acredita em sua capacidade de agir e gerar resultados eficientes em seu ambiente. É paciente e sabe lidar com as diferenças. Fala de modo direto “não manda recados”. Afirma seu ponto de vista com respeito pelos outros.
 Hoje, no mundo dos negócios, os profissionais devem ser assertivos, pois não basta ter competência técnica, as empresas buscam pessoas talentosas e assertivas Entretanto, caso o leitor não se julgue dotado de assertividade positiva, não se desespere, é possível desenvolve-la pelo aprendizado, exercício e aperfeiçoamento.
Ao ser assertivo com o seu interlocutor, a pessoa está afirmando o seu “Eu”, por isso a assertividade está ligada a pessoas que têm autoconhecimento e auto-estima positiva capaz de fazer seu próprio marketing pessoal e profissional.
 Algumas pessoas não utilizam a assertividade em sua comunicação porque pensam que, revelando seus desejos e intenções, possam vir a ser rejeitadas.
Tenha em mente que a assertividade pode caminhar com a cooperação; como exemplo, você não precisa depreciar ou menosprezar o outro para impor suas idéias ou defender seus pontos de vista. Você favorece seus contatos sociais quando a outra pessoa percebe que você a respeita, mesmo tendo opiniões e crenças diferentes.
Ser assertivo é ser capaz de manter a calma diante de situações embaraçosas, resolver problemas diretamente, sem julgar ou culpar os outros, saber conduzir relações interpessoais de forma positiva é ser habilidosos nas relações sociais. Pessoa assertivas tem maturidade suficiente para evitar confrontos e disciplina necessária para levar adiante seus projetos.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica


Psoríase: pele e emoção  


A pele é altamente sensível às emoções, em virtude das ligações existentes entre ela e o sistema nervoso. Ambos possuem a mesma origem embriológica. Ambos derivam do ectoderma, o folheto externo do embrião, que, na sua evolução, dobra-se sobre si mesmo formando um tubo, chamado tubo neural. A parte que fica por fora vai formar a pele e a parte interna vai desenvolver o sistema nervoso. Portanto, desde o início, a pele está em ligação direta com o sistema nervoso, enviando-lhe constantemente informações sobre o meio externo.

Ao nascer, a pele é o maior órgão de percepção. Ela registra as mudanças do quente e aconchegante corpo materno, para o frio e áspero mundo externo. Assim, a pele se torna o meio de contato físico e de resposta de uma gama de emoções que a criança vivencia, seja de bem estar ou de angústia.

A pele é também, um órgão de comunicação e, portanto, uma das formas do indivíduo expressar insatisfação, mal-estar ou desconforto por meio da somatização. Ela é o espelho do funcionamento do organismo ao refletir e interpretar: sua cor, textura, umidade, secura, sensações de frio, calor e, no toque o prazer e o desprazer com repercussões no estado psicológico e fisiológico.

Os quadros psíquicos principais nas dermatoses são ansiedade, depressão e sintomas obsessivo-compulsivos, que podem ser discretos, não caracterizando doenças, mas influenciando a evolução da dermatose.

A conexão entre a pele, o sistema psíquico e as doenças psicossomáticas é abordada pela dermatologia integrativa. Grande tem sido a contribuição da psicologia para ampliar os conhecimentos sobre o estado psíquico dos doentes dermatológicos, sobretudo através da psicoterapia numa abordagem cognitivo-comportamental.

Já não há mais como negar a interação entre o corpo e a mente. O estado emocional é capaz de desencadear diversas manifestações orgânicas e, até mesmo, doenças.

Muitas vezes, diante de uma situação de forte estímulo emocional ou do estresse do dia a dia, mecanismos biológicos descarregam a tensão no corpo, que se manifesta em um órgão, chamado de "órgão de choque". A pele é um desses "órgãos de choque" e, certamente, sofre em função dessas oscilações emocionais.

Quando o órgão atingido é a pele, algumas doenças podem ser desencadeadas ou agravadas, entre elas: psoríase, disidrose, vitiligo, dermatite seborréica, dermatite atópica, lupus e acne.

Dentre os vários fatores que provocam o aparecimento das dermatoses, o aspecto emocional é, talvez, o de maior importância e influencia tanto o surgimento como o agravamento da lesão. Um exemplo a ser destacado é o da Psoríase, uma das dermatoses crônicas mais pesquisadas classificada no grupo das psicodermatoses, cujo fator emocional foi identificado como agravante da doença.

Psoríase é uma doença crônica, não contagiosa, auto-imune que afeta a pele e articulações. Comumente provocam manchas vermelhas as chamadas placas de psoríase, áreas de inflamação e produção excessiva da pele.

A pele de pessoas saudáveis é renovada em cerca de quatro semanas, enquanto a pele dos pacientes com psoríase é renovada a cada semana. No caso da psoríase as células da epiderme chegam à superfície da pele, muito mais rápido, permanecendo presas à pele, formando manchas inchadas, vermelhas, escamosas. Para se ter uma idéia, uma célula da epiderme, em circunstâncias normais, vive 28 dias, tempo que envolve nascimento, multiplicação e morte. Dentro do quadro de psoríase, este ciclo de vida cai para 3 dias.

A psoríase é uma doença com componentes hereditários e de fundo emocional. Geralmente aparece no início da adolescência, mas pode aparecer também, devido a algum problema emocional, como a morte de um ente querido, divórcio, perdas financeiras, e outras situações de perda.

Muito provavelmente a questão emocional atua como um importante fator desencadeante da Psoríase em pessoas com certa predisposição genética para a doença. Fala-se em componente genético porque cerca de 30% das pessoas que têm psoríase também têm familiares acometidos por ela.

É fácil reconhecer os efeitos físicos da psoríase. Difícil é conceber o impacto da doença no emocional e psicológico. Pacientes com psoríase relatam sensação de vergonha, preconceito e angustia por causa do aspecto da pele. Por preconceito ou constrangimento, as pessoas deixam de procurar ajuda psicologia, complicando assim seu prognóstico.


                      Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                Psicóloga Clínica 

Oneomania: o que se deve saber sobre este transtorno  



            Vivemos numa sociedade de consumo no contexto banalizado do discurso capitalista, que promove o endividamento progressivo do indivíduo, do apelo comercial que multiplica objetos imaginários de desejo, propiciando o aparecimento de novos sintomas e novos doentes: "os compradores compulsivos". 
A doença do consumismo tem nome e preocupa as autoridades da área de saúde do Brasil: chama-se Oneomania, ou consumo compulsivo. Três, em cada dez brasileiros, a maioria mulheres, compram compulsivamente. A pessoa usufrui apenas o momento da compra, mas não o produto em si, que muitas vezes é deixado de lado sem utilidade alguma. A baixa autoestima e o sentimento de vazio são constantes. Depois da compra vem o arrependimento e a culpa.
            Comprar faz parte da rotina diária da vida das pessoas, entretanto, para algumas, esta tarefa pode tornar-se um pesadelo. Para os compradores compulsivos, a incapacidade de controlar os impulsos faz com que o ato de comprar se transforme numa batalha entre o desejo e a razão, na qual o desejo, na maioria das vezes, sai vencedor.
Comprar compulsivamente é sinal de doença. Estourar o orçamento repetidamente é um vício. 
            A Oneomania é uma desordem psicológica que domina a pessoa, levando-a a comportamentos extremamente inadequados podendo levar a grandes prejuízos financeiros. A pessoa Oneomaníaca não consegue se controlar, é como o viciado em jogo ou em alguma droga.
Com o aparecimento dos grandes centros de compras, a partir do século 20, a facilidade de se conseguir financiamento, a utilização do cartão de crédito, do cheque especial, o poder da publicidade e propaganda, o distúrbio foi ficando mais evidente. Afinal, as pessoas nunca tiveram tanto acesso aos bens de consumo como têm hoje.
O compulsivo por compra acaba sempre adquirindo um determinado tipo de objeto, por exemplo, 2 a 5 pares de sapatos por mês, colecionam bolsas, 20 gravatas de uma só vez, às vezes produtos caros, podendo gastar em um único dia, um talão de cheques, ou ainda, possuir 20, 30 peças de vestuário que acabam esquecidas no armário.
            A pessoa sente uma enorme pressão para fazer compras baseadas em uma profunda carência afetiva, sentimento de frustração, um enorme vazio e ansiedade descontrolada. Os compradores compulsivos, no período que antecede o comportamento do consumo, apresentam reações físicas próprias da ansiedade como: taquicardia, sudorese, irritação, falta de controle, agressividade. Essa ansiedade só diminui durante o ato da compra, ou imediatamente após a mesma, seguida por sentimentos de culpa e remorso e, finalmente por baixa autoestima.
A Oneomania é um distúrbio bastante controvertido do ponto de vista psiquiátrico e psicológico, porém, tem sido caracterizado como um transtorno de ansiedade e classificado dentro dos transtornos do impulso.  
            Segundo estudiosos, de modo geral, apenas 20% das compras ou contratação de serviços são realmente imprescindíveis. Os outros 80% são realizados por motivos ou situações diversas, como: impulsos incontroláveis, ingenuidade, imaturidade, influência da propaganda.
É interessante avaliar o que nos leva a comprar, não apenas o indispensável mas produtos cuja finalidade ou utilidade são prescindíveis. Tudo o que compramos satisfaz de alguma forma às nossas necessidades, seja para saciar a fome, a sede, curar uma doença, proporcionar conforto, lazer e satisfação pessoal. Entre os indicadores para se saber se alguém é Oneomaníaco, podemos citar: não resistir ao impulso de comprar; gastar mais que o planejado, ou que o prejudica financeiramente, pedir dinheiro emprestado com freqüência, utilizar-se de estratégias escusas para se livrar das dívidas, precisar efetuar uma compra de qualquer maneira ou independentemente da necessidade do produto comprado, perceber que está comprando coisas inúteis e assumir dívidas muito acima do valor de sua renda mensal. Este é um problema de natureza psicológica, que leva a comportamentos extremamente inadequados, podendo causar grandes prejuízos financeiros, familiares e sociais. As pessoas geralmente não se dão conta de serem portadoras deste distúrbio, acreditando ser algo momentâneo do qual terá controle da próxima vez, porém, na verdade a cura não depende somente de esforço. No caso da Oneomania o nível de ansiedade é alto, exigindo tratamento especializado.

                 Profa. Dra. Edna Paciência Vietta 
                             Psicóloga Clínica  


  “As crenças que temos sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre o futuro, determinam o modo como nos sentimos: o que e como as pessoas pensam afeta profundamente o seu bem-estar emocional “ ( Beck e Kuyken, 2003)

A terapia cognitiva (TC) foi desenvolvida por Aaron Beck no início da década de 60, na Universidade da Pensilvânia, EUA. Beck tinha como objetivo investigar os mecanismos inconscientes propostos pela psicanálise para explicar o mecanismo da depressão, a partir de estudos empíricos e observações clínicas sistemáticas. Porém, resultados de suas investigações não se mostraram compatíveis com as pressuposições psicanalíticas, levando-o a buscar outros construtos que explicassem de forma satisfatória os dados empíricos observados.
Beck observou que humor e comportamentos negativos eram usualmente resulta de pensamentos e crenças distorcidas e não de forças inconscientes até então sugeridas pela Teoria Freudiana, ou seja, a depressão podia ser compreendida como sendo decorrente das próprias cognições e esquemas cognitivos disfuncionais. Observou que pacientes com depressão acreditam e agem como se as coisas fossem piores do que realmente são.
Utilizando-se da base empírica da teoria da melancolia de Freud, Beck desenvolveu estudos sobre a depressão e em 2006, descobriu que sua pesquisa invalidava conceitos psicanalíticos de depressão e que sintomas desta psicopatologia podiam ser melhor explicados através do exame dos pensamentos conscientes do paciente, no lugar de tentar trazer a tona (hipotéticos) desejos reprimidos e motivações inconscientes. A partir de então, desenvolveu um tratamento para depressão de modo a auxiliar os pacientes a solucionar seus problemas atuais, mudar seus comportamentos disfuncionais e responder de forma adaptativa a seus pensamentos disfuncionais.
As descrições dos indivíduos sobre si mesmos e de suas experiências evidenciavam pensamentos e visões negativas de si mesmos, de suas experiências de vida, do mundo e do seu futuro. Beck deu a esses pensamentos o nome de “pensamento automático”, visto que não precisam ser motivados pelas pessoas para vir à tona. Esses pensamentos são o resultado da forma do indivíduo interpretar as situações do dia-a-dia, ou seja, o que fica “gravado” como importante não é o que está acontecendo de fato, mas a interpretação que o indivíduo dá para o fato. Tais visões demonstram distorções cognitivas da realidade.
As terapias designadas de terapias cognitivo-comportamentais ou (TCC), denomina-se assim porque constituem a integração de conceitos e técnicas cognitivas e comportamentais.
O modelo teórico cognitivo-comportamental considera a cognição como a chave para os transtornos psicológicos, pois a cognição é a função que envolve deduções (pensamentos) sobre a experiência singular do indivíduo e sobre a ocorrência e o controle de sua percepção dos eventos.
Cognição é um termo amplo que se refere ao conteúdo dos pensamentos e aos processos envolvidos no ato de pensar. São aspectos da cognição as maneiras de perceber e processar as informações, os mecanismos e conteúdos de memórias e lembranças, estratégias e atitudes na resolução de problemas.
A psicopatologia é resultante de significados mal adaptativos que o sujeito constrói em relação a si, ao contexto ambiental (experiência) e ao futuro (objetivos), que juntos formam a tríade cognitiva. Na ansiedade, a visão de si é vista como inadequada, o contexto é considerado perigoso e o futuro parece incerto. Já na depressão, os três componentes são interpretados negativamente.
A terapias Cognitiva baseia-se no pressuposto teórico de que os afetos e os comportamentos de um indivíduo são determinados em grande medida pelo seu modo de estruturar o mundo. Isto quer dizer que a visão do mundo de uma pessoa, influencia a forma como ela pensa, sente e age.
A Terapia Cognitiva propõe que nossas emoções e comportamentos não são simplesmente influenciados por eventos e acontecimentos e sim pela forma através da qual processamos, percebemos e atribuímos significados às situações. O homem é um ser em busca constante por significados e explicações. Quando pensamos, estamos também interpretando esta realidade e a nós mesmos. A Terapia Cognitiva busca basicamente intervir sobre as cognições para modificar emoções e comportamentos disfuncionais.
                   Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                             Psicóloga Clínica


Vigorexia ou Anorexia Reversa?   


            É bastante conhecido o fato de que Transtornos Mentais e sintomas de natureza emocional evoluem e se modificam ao longo dos tempos tomando características diferentes nas diversas culturas, mostrando-se sensíveis às transformações sócio-culturais.
Enquanto na época de Freud predominava a Histeria, cuja manifestação ocorria sob a influência da sociedade repressiva do final do século XIX, onde a ordem geral era a implacável e feroz repressão da sexualidade, conduzida por uma moralidade hipócrita e artificial, implacável e feroz, hoje são comuns as compulsões ou Transtornos Alimentares (Anorexia, Bulimia), os Transtornos de Ansiedade, as Fobias, o Pânico, o Transtorno Bipolar, o Transtorno Obsessivo Compulsivo, sob a influência das sociedades modernas. A escravização que as pessoas das sociedades civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência dos Transtornos Dismórficos, sejam Corporais (associados à Anorexia e Bulimia) ou Musculares (Vigorexia).
A Anorexia, doença que se caracteriza pela recusa à alimentação por medo de engordar, e a Bulimia, na qual a pessoa provoca o próprio vômito. Atingem principalmente as mulheres: 90% dos pacientes são meninas entre 12 e 18 anos. A tentativa de controle do corpo da mulher, que antes se dava através da repressão a traços tidos como naturais, a obrigação de ser meiga, doce, delicada, hoje aparece na imposição estética de beleza e magreza. Controlar o corpo da mulher é também moldar seu comportamento. Um dos efeitos mais perverso disto tudo é o rebaixamento do nível de auto-estima e a desvalorização da singularidade, individualidade e identidade da mulher.
A Vigorexia, comportamento que atinge homens e mulheres surge no contexto de uma sociedade consumista, competitiva, na qual o culto à imagem acaba adquirindo, praticamente, a categoria de religião (na conotação fanatismo), é talvez, uma das mais recentes patologias emocionais, ainda não catalogada como doença específica pelos manuais de classificação (CID 10 e DSM. IV).  
Os vigoréxicos são praticantes inveterados de esportes e ginásticas que se dedicam ao desempenho corporal, sem levar em conta as condições físicas, chegando mesmo a sentirem-se culpados, quando não podem exercitar de forma ritualística ou compulsivamente tais atividades.
            Este distúrbio, comum em homens, às vezes, confundido com simples excesso de vaidade, advém do controle exagerado do crescimento da massa muscular provocada por exercícios constantes e contínuos ou por utilização, muitas vezes inconseqüentes de esteróides anabolizantes, ainda, por obsessão pelo visual fisiculturista, e por uma espécie de narcisismo, mania de admirar-se diante do espelho, esforço para alcançar a perfeição física, dentro de um padrão do tipo Silvester Stallone.
Tanto na Anorexia quanto na Vigorexia as pessoas buscam a imagem perfeita, segundo padrões ditados pela televisão, cinema, revistas, passarelas de moda e pela ambição ou ilusão de galgar prestígio, fama, aceitação, reconhecimento, etc.
Em 1993, o psiquiatra americano Harrison Pope, professor da Faculdade de Medicina de Harvard, Massachusetts denominou a doença como Anorexia Reversa ou Síndrome de Adônis (personalidade mitológico de grande beleza). Segundo Pope, o Transtorno tem certos aspectos comuns com a Anorexia: auto-imagem distorcida, fatores sócio-culturais, automedicação e idade de aparição (entre 18 e 35 anos). Ambas promovem a distorção da imagem que os seus portadores têm sobre si mesmos. A diferença é que enquanto os anoréxicos nunca se acham suficientemente magros, os Vigoréxicos nunca se acham suficientemente fortes e musculosos.
Ter um corpo é ter uma identidade. Alterá-lo para agradar aos outros, sobretudo, para atender a expectativas criadas pela própria indústria da estética, é uma forma de ser menos dono de si mesmo.
        A melhor solução é a prevenção, orientação e detecção precoce.

                       Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                    Psicóloga